22 Janeiro 2004
Breves notas pessoais sobre alguns discos ouvidos recentemente (reparem em mim armado em crítico)

Amp Fiddler 'Waltz of a Ghetto Fly'



Sosseguem os fãs da neo-soul de recorte clássico. Chegou o sucessor de Raphael Saadiq, Dwele ou D'Angelo. Amp Fiddler tem a escola toda - já tocou com Prince, George Clinton ou os P-Funk All-Stars, por exemplo - e é um tipo cool. Muito cool. E 'Unconditional Eyes' é já uma das músicas de 2004.

Electric Gypsyland



Um disco de remisturas de música cigana fazia tanta falta como uma viola num enterro. Gostei das remixes de Señor Coconut (menos esfuziante do que habitual), Juryman e Bigga (repugna-me escrever este nome) Bush (pronto, já está). Mas talvez nem sejam estas. Recordo-me de gostar de duas ou três músicas e das restantes serem qshhhpunk qshhhpunk qshhhpunk com uma música cigana por baixo. Mediano sem ser mau, garante animação descontraída mas não fica na memória. Ao contrário da capa, medonha, a fazer lembrar uma compilação de êxitos das novelas da Globo.

Buck 65 'Talkin' Honkey Blues'



Imaginem uma mistura de hip hop com country alternativo lo fi e dará provavelmente algo entre o hip hop lo fi ou o country hip hop. Se o colectivo Anticon - com excepção notável de Sole - pega numa misturadora, nos últimos 40 anos de música popular e elabora uma papa pouco consistente, Buck 65 (aka Richard Terfry) reduz os ingredientes ao mínimo indispensável. ''Talkin' Honkey Blues' é um excelente disco com apenas um ponto fraco: a voz rouca do Buck que não se chama Buck mais parece a de um velho combatente de boxe atacado pela doença de Parkinson. Ou um Tom Waits ligeiramente menos bêbado.


Philly Soul - Music From The City



Uma pequena desilusão, esta colectânea que se propõe reunir o estado da arte da neo-soul da cidade de Filadélfia. Jaguar Wright, Lizz Fields, Jill Scott e Bilal estão em grande estilo (como sempre). Mas também há por lá muita música francamente menos inspirada: Jazzfatnastees, The Philadelphia Experiment, King Britt, Vikter Duplaix. E eis que chega a vez da habitual ladaínha monocórdica de Ursula Rucker e eis que chega o pretexto para trocar de disco.

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