Mortalidade
Ontem estavamos 6 pessoas a olhar de lado para a TV, e deu-se o que se deu. O silêncio instalou-se e todos ficamos com frio. Não somos feitos para confrontar a nossa natureza mortal tão bruscamente e em directo. Sentimo-nos ténues e pequeninos, e como diria o ex-Nana "...deixa um tipo a pensar na 'vida'". Talvez fiquemos essencialmente envergonhados da nossa mesquinhez quotidiana...
Ontem já se questionava na rádio, porque é que a ambulância entrou em macha-atrás e atrasada, ou porque as máquinas não chegaram mais cedo ou etc.
O carrocel vai começar e vamos todos apressar-nos a provar que somos incompetentes, irresponáveis e que 'não se fez tudo o que se podia' ou que 'nem tudo correu como estava previsto'. É essencial descobrir 'o que falhou?'.
Isto porque, assumir que um gigante de 24 anos, sujeito a NNN exames médicos em 2 clubes de top europeu e uma selecção, assistido em menos de 30 segundos por 2 médicos, a 200m de um hospital, pode estar na mesma sujeito a morrer fulminado sem salvação possível, é uma realidade com que nínguem se quer ou tão pouco se pode confrontar...
A nossa mortalidade impede-nos de viver se estivermos conscientes dela.
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